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Brasil: Queremos a verdade do fato

Los sentimientos de los jóvenes indígenas víctimas de la discriminación ha sido formidablemente expuesto en tres breves textos escritos jóvenes indígenas de la Reserva de Dorados en la que exponen su propia mirada sobre los sucesos ocurridos en Porto Cambira el 1 de abril y de los cuales informamos oportunamente. Los textos se titulan: Queremos la verdad de los hechos, El otro lado de la historia y La otra versión.

Queremos a verdade do fato

Por Alcir Rodrigues Medina, 21 años Guarani

Fomos até Porto Cambira saber mais sobre o que aconteceu realmente no caso dos policiais mortos naquele local. Chegando lá, fomos muito bem recebidos pelas famílias, e perguntando sobre o ocorrido ficamos impressionados com os esclarecimentos dados por eles.

Disseram que, no dia, os policiais chegaram na aldeia por volta das 16 h da tarde, sem fardas, usando bermudas e dando tiros, inclusive acertando um jovem nos pés. Sem dúvida eles não iriam apenas ficar vendo esta cena! È a mesma coisa que um estranho chegar na sua casa e fazer coisas absurdas com sua família ...Qual seria sua reação? defender-se, não é mesmo? Pois então, foi uma forma de defesa que ocasionou tudo isso.

E por tratar-se de policiais, o poder contribuiu para que a história repercutisse de uma forma que possibilitasse à sociedade conhecer apenas a versão destes.

Os meios de comunicação mostraram que foram os índios que começaram as agressões, não mostraram o jovem indígena atingido por um tiro, ou as cápsulas de balas espalhadas por todos os lados. Esta é a revolta que existe lá, da imprensa e autoridades questionarem a comunidade e mesmo ouvindo a verdade, insistirem em mostrar os fatos distorcidos, negando e omitindo partes da historia.

A imprensa mostrou, na última semana, que os acusados se entregaram aos policiais confessando o crime, mas, não contaram e nem refletiram a maneira que os policiais podem ter usado para alcançar esta atitude com os 09 indígenas que ainda estão presos, sendo um deles, menor de idade, que também se encontra preso na penitenciaria Harri Amorim Costa.

Isso para nós é inaceitável, mostrar apenas uma versão e não ver o outro lado da historia, não respeitarem um povo que sofre. Que sofre com o preconceito, com a falta de incentivo, mas que por outro lado, luta. Luta pela terra, pelos seus direitos, pela sobrevivência.

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O Outro Lado da História

Por Micheli Alves Machado

Conversando com os índios do acampamento de Porto Cambira, hoje 13/04/2006, tive a versão deles sobre o acontecimento da morte de dois policiais na semana retrasada. Como eu já imaginava quem começou o confronto foram os próprios policiais que chegaram na área indígena de calção e chinelo num carro sem nenhuma identificação.

ão se identificaram como policiais e começaram a procurar o líder do acampamento Carlito de Oliveira , que teria ido ao rio Dourados pescar e tomar banho, já que o lugar onde vivem fica na beira do rio. Como não encontraram o líder, os policiais começaram a atirar para intimidar a comunidade, e um desses tiros atingiu o pé de um rapaz de 16 anos que está preso na Penitênciaria Harry Amorim Costa em Dourados - e isso não foi divulgado pela imprensa.

Depois que os policiais atiraram para todos os lados e acertaram o rapaz e também alguns animais, estes policiais foram para a ponte do rio e chegaram em uma chácara perguntando por uma fazenda que se chamaria Aldeia Velha , eles até falaram que o homem da chácara pode confirmar. Como não encontraram a tal fazenda voltaram atirando por cima do acampamento, então os indígenas cercaram os policiais - e não foram fechar a estrada com paus e pedras como foi divulgado na imprensa - somente acenaram para os policiais para perguntar o porquê que estavam atirando e assustando a comunidade. Então, os policiais, pararam o carro e começaram a xingar e a ofender os índios. Os índios, ao se defenderem, entraram em uma luta corporal com os policiais e assim, durante essa luta, um dos policiais atirou acertando o próprio companheiro. O policial que atirou ficou indignado e continuou agredindo um dos índios enquanto o terceiro policial que é o sobrevivente o ajudava ,assim, em defesa, os indígenas, com uma faca, atingiram um dos policiais.

Mas, tudo começou para defender a área indígena onde vivem, e quem começou tudo foram os próprios policiais. Um dos policiais foi atingido na cabeça e ficou desacordado, e não estava fingindo-se de morto como também saiu na imprensa.

Depois de tudo o que aconteceu, os policiais federais ao investigar o caso no acampamento agrediram crianças e mulheres, roubaram celulares dos índios, pegaram de uma mulher dois diamantes que ela teria ganho no Paraguay, e ainda derramaram comida no chão das casas e obrigaram os índios a confessar o crime através de surras e ameaças. Os policiais enganaram os índios dizendo que os levariam somente para dar depoimento e já os prenderam. Com o rapaz que levou o tiro disseram que o levariam para o médico e quando saíram do acampamento deram voz de prisão a ele e o algemaram.

Agora, como fica essa situação? Vai ficar como se os índios fossem os únicos culpados? Tudo bem que eles erraram, mas e os policiais que chegaram atirando e ofendendo os índios, vão sair como heróis?

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A outra versão

Por Antonio Joao Rodrigues (Ada) , 18 anos etnia Guarani

No dia treze de abril de 2006, fomos a aldeia de Porto Cambira, com o objetivo de ouvir a versão deles sobre acontecimento que ocorreu no dia primeiro de abril deste ano, no qual índios mataram policiais. Com certeza foi um crime muito grave - como todo crime-, mas a imprensa e a sociedade colocou como se fosse todo o meu povo o culpado por tais fatos, sem ao menos ouvir o que realmente aconteceu.

A imprensa ouviu apenas aquelas pessoas que tem poder, como por exemplo os policiais, mas, não ouviu o povo que realmente sofreu. A imprensa simplesmente fechou os olhos e tampou os ouvidos, não dando a mínima, e agora quero relatar o que realmente aconteceu.

O líder que está hoje na aldeia, Sr. Leonardo, disse que, simplesmente, os policiais chegaram na entrada da aldeia e foram dando tiros, e os nossos irmãos indígenas ficaram assustados, foram ver o que estava acontecendo e quem eram. Saindo na estrada foram surpreendidos, pois eram policiais e, assim que foram vistos, os policiais os abordaram, agredindo-os. Os policiais também nem sequer estavam fardados ou com qualquer tipo de mandato para entrarem na aldeia. Por um dos índios ter sido atingido por uma bala e para nao ver nossos irmãos morrerem, revidaram também com violência, sem outra alternativa, a não ser com a luta corporal.

Porém, várias cápsulas de bala foram encontradas, e isso não foi divulgado na impressa, pois quem tinha as armas eram os próprios policiais.

O meu povo estava vivendo em paz, plantando o seu alimento, e agora depois deste acontecido precisam buscar ajuda para esclarecer toda a situação, pois certas pessoas que tem o poder nas mãos, pessoas que na verdade teriam que defender os índios, estão do lado do poder, e não fazem que teria que ser feito.

Meu povo queria apenas a Paz, um pedaço de chão para sobreviver. Hoje estão assustados, sendo humilhados pela sociedade, por esta não conhecer a verdade.

Chega! Iremos lutar de acordo com a justiça e não com a violência como fizeram com meu povo.

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